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02.10.2013 – Gestão Ambiental: uma profissão do novo século

gestaoambientalComo é natural em todo início de século existem grandes aspirações pela busca do novo, do inovador, do diferente. Surgem novas possibilidades, novos hábitos, novos costumes.
E para tudo isso são necessárias mudanças e readequações que vão do regional para o global e do global para o local.
Muitas profissões deixam de existir, no entanto, outras novas surgem. E, entre uma dessas novas, nobres e promissoras profissões do novo século está a de gestor ambiental.
Sim, existem ainda algumas discussões acerca dessas questões e principalmente do assunto ‘regulamentação’, e é de fundamental importância que o gestor ambiental se aproprie desse conteúdo.
Também, enfrentar as dificuldades na busca por um planeta que possa ‘sustentar’ o ser humano do século XXI e, considerar o gestor ambiental como um dos profissionais emergentes e necessários em nossos dias, é a prova de que tudo converge para mudanças profundas.
Meio ambiente equilibrado socialmente justo e economicamente viável: o século XXI pede esse comportamento.
Conhecer é preciso, discutir é necessário e implantar é primordial!
Gestão Ambiental, Gestor Ambiental: em prol de um novo tempo!


Raquel Moraes
Gestora, Perita, Articuladora e Consultora Ambiental
Especialista em Sustentabilidade para o 3º Setor

02.05.2012 – Sacolas plásticas: ter ou não ter, eis a questão!

Muito bem. Temos um assunto pra lá de polêmico. As sacolinhas plásticas. Ter ou não ter? Eliminar ou continuar? Impor Lei ou discutir o assunto?
Sim. Muito se falou na mídia, muitos têm argumentos que podem ser considerados como base para discussões acerca do assunto. Mas será mesmo que tirar do mercado as sacolinhas plásticas vai ajudar a resolver as questões ambientais?
Pensem: o valor de cada unidade da sacolinha já está embutido nos preços dos produtos. Não há dados que informem de forma oficial que os comerciantes supermercadistas serão obrigados a dar um ‘desconto’ na hora de passar no caixa.
Muito pelo contrário. Está havendo uma comercialização de sacolas que, em sua esmagadora maioria não beneficia em nada o meio ambiente. Exemplo: materiais usados em sacolas retornáveis, na maioria das vezes não são provenientes de fontes seguras. Claro, pois para transportar alimentos, o material não poderia ser tóxico né? Então como fica as sacolas ofertadas ao público, nos mais diversos tipos de eventos, cuja origem nem brasileira são?! Como confiar? Quem pode informar se no material usado existem restos tóxicos de plásticos hospitalares e afins?
Outra coisa, o passivo ambiental dos supermercados está descaradamente sendo empurrado goela abaixo dos consumidores. Caixas de papelão dos mais diversos produtos tem sido a opção do público em inúmeros estabelecimentos comerciais. Isso é um desplante. Além de a responsabilidade ser do empresário em destinar corretamente o seu ‘lixo’, ao invés de encaminhar para uma cooperativa de reciclagem, materiais como caixas de papelão estão sendo levados aos montes para as residências. Isso acarreta em material desperdiçado além de contribuir para a contaminação de produtos alimentícios, pois, as caixas tem contato direto com poeiras e demais poluições em momento de transporte e estoque, o consumidor vai encaminha-las ao lixo comum (pois outro problema é a falta da coleta seletiva). Mas senhores, isso não é dito pela mídia!
Outra coisa, eliminar simplesmente as sacolinhas, vai impactar o pequeno e médio fabricante, que vai ficar sem vender seu produto, podendo ocasionar até mesmo o desemprego de muitos. Ainda, os substitutos ditos biodegradáveis demoram menos a se degradar nos aterros, mas ainda assim estarão lá, ocupando espaço e gerando problemas bem parecidos.
Tudo bem que rotinas caseiras, como a de colocar o lixo doméstico nas sacolinhas, podem ser mudadas. Mas com certeza outras embalagens plásticas serão utilizadas… ou será que os sacos de lixo também serão extintos?! Ou ainda, serão investidos milhões para que sacos de lixo e garrafas pets, e tudo o mais feito com o famoso plástico seja transformado em material biodegradável? Acho que não.
O que precisamos é da aplicação da Gestão Ambiental de fato e não apenas encontrar meios ineficazes e gerar polêmica em torno de um assunto que, nem de longe deveria ser prioridade nas discussões parlamentares.
Se você tem uma opinião, expresse-a. É importante. Devemos nos manifestar em relação a assuntos dessa natureza. A opinião pública quando bem aplicada surte bons efeitos. Experimentem! Aproveitem este ano que será de eleição e cobrem soluções de seus candidatos. As futuras gerações agradecem!

Raquel Moraes é Gestora Ambiental,
Perita Judicial em Gestão Ambiental
Especialista em Sustentabilidade e Projetos Socioambientais

15.04.2012 – O falso discurso

O discurso ambiental proferido pela academia, por empresas, por ONGs e entidades governamentais torna-se cada vez mais distante do rumo sugerido pela bióloga americana Rachel Carson, que nos anos 50 do século XX publicou, entre outras obras, um estudo realizado sobre o uso de pesticidas na agricultura. especificamente o DDT. A obra, intitulada SiIent Spring (Primavera Silenciosa. em português), foi um marco na história do movimento em defesa do meio ambiente.
Carson, que pesquisou os efeitos nocivos dos novos pesticidas desenvolvidos pela indústria química, concluiu que o veneno não exterminava apenas algumas pragas que atacavam as lavouras, mas também outros seres importantes ao ciclo vital. Com o resultado das pesquisas sistematizado, dedicou-se a redação do livro. Buscou. sem sucesso, apoio entre parlamentares e imprensa para fazer a denúncia: a imprensa a dependia dos anúncios publicitários para manter seus negócios e os parlamentares, das doações dessa mesma indústria para bancar suas campanhas políticas.
No inicio dos anos 60 consegue publicar seu trabalho e muda, de forma surpreendente, a breve história do movimento ambientalista.
A defesa do meio ambiente assume contornos de movimento organizado e científico, a evoluir e criar literatura própria, fundamentação histórica e filosófica. Um novo pensar da humanidade passa a assombrar os que detêm os meios de produção e tudo o mais que importe no controle da sociedade, o ecocentrismo. Pensamento que recoloca o homem no mesmo plano de outros elementos vivos, de modo que qualquer ação de subsistência considere a possibilidade de reposição espontânea da natureza e o pleno respeito pela vida animal.

Tal filosofia contraria o pensamento antropocêntrico da humanidade, ameaçado apenas no período pré-socrático, quando os deuses estavam em todas as coisas e a relação de respeito do homem com o meio natural era exigível por força de fé e temor.
Antropocentrismo é a expressão que define o homem como centro do universo condição reforçada pela cultura judaico cristã, para a qual tudo existe para satisfazer as necessidades e desejos do homem. Da natureza tudo pode retirar, a ele é dado o direito de sacrificar outras criaturas para saciar seu apetite. Como criatura de Deus, sua imagem e semelhança, tudo é possível na relação com o meio.
Essa permissão “sagrada”, dada por ele mesmo para satisfazer a si próprio deixa vítimas até mesmo entre seres da própria espécie. Se a permissão é dada à todos, por que poucos se beneficiam?
Milhões de homens, mulheres e crianças morrem de fome, sede, frio ou calor. Milhões não possuem sequer o pedaço de chão que ocupam com seu corpo ou uma parcela mínima de solo fértil para produzir o mínimo necessário para alimentar-se. Semelhante ao que faz com o gado. o homem de poder aprisiona seres da própria espécie entre linhas imaginárias e as batiza de ‘cidades”.
Tal como na Síndrome de Escafandro, doença que afeta o sistema muscular, inibindo todo e qualquer movimento do corpo humano, o homem tornou-se prisioneiro de seu próprio saber. Domesticando as plantas. deixa de ir e vir: criando deuses,deixa de crer em si mesmo; com a roda, esquece de suas próprias pernas; e inventando máquinas, perde habilidades e destreza.
Nossa condição atual é determinada pelo modo como pensamos.
A constatação de que os benefícios da evolução humana não alcançam a todos os sujeitos sociais é prova inequívoca da perversidade desse pensamento filosófico. Nesse momento histórico de acúmulo de riquezas nas mãos de poucos e invisíveis indivíduos que subjugam seus semelhantes, como antes o homem fizera com as plantas, observamos multidões sem saber para onde ir. Essa dominação faz o homem crer que não pode recorrer autonomamente à natureza para alimentar-se, saciar sua sede e construir seu lar. Uma clara contradição do deteminismo antropocêntrico de milhares de anos.
Esse homem atual perambula pelo concreto das cidades modernas corno nico lugar possível para viver, e prossegue assim sua trajetória. sem que as tais “permissões” garantam seu direito natural tão mal tratado, também, por Maquiavel, Hobbes e Locke.
Sobre o ecocentrismo, podemos afirmar que enfrenta uma difícil disputa com o pensar vigente. A mudança do eixo de pensamento da humanidade não implica, necessariamente, num homem agnóstico. Existir em harmonia com outros elementos do universo representa o verdadeiro sentido da vida. Ter fé é respeitar os direitos naturais do próximo, seja ele humano ou outras formas de vida. Tratar o planeta de modo que a vida possa se perpetuar é a lição deixada por muitos filósofos, e que os homens apenas repetem como papagaios, mas não a praticam. Evoluímos tecnologicamente, mas continuamos presos, intelectualmente, ao passado. Entendemos como absolutas e inquestionáveis as palavras de bondade dos seres imaginários que povoam nossas mentes, mas praticamos verdadeiras atrocidades contra aqueles que conosco compartilham o espaço. Execramos um novo pensar, temendo que nele Deus não esteja presente, mas, inexplicavelmente, continuamos negando suas palavras e ensinamentos nos atos que praticamos.

 

Texto e fotos: Léo Urbini
Publicado na revista ZN
leourbini@yahoo.com.br
Outros artigos no acervo digital da revista ZN em www.revistazn.com.br

15.04.2012 – Vídeo “Bike Branca”

O vídeo “Bike Branca” traz o debate sobre o uso coletivo de espaços públicos.
O relevo feito ao uso das bicicletas em grandes cidades e o compartilhamento desses espaços com veículos automotores é a pauta do vídeo.
Realizado por Vanessa Farias e Léo Urbini, foi filmado entre 25 de março e 5 de abril de 2012, por ocasião da inauguração da ciclofaixa da zona norte de São Paulo.
[youtube https://www.youtube.com/watch?v=9_N7QhD3e8A]

23.02.2012 – Que calor é esse?

Um estudo biológico comprovou que um sapo, que vive numa determinada lagoa, pode suportar o aumento gradativo da temperatura da água até um limite muito além do seu clima natural. Surpreendentemente, enquanto a água se aquece, o sapo permanece tranquilamente relaxado ao passo que seu corpo vai se adaptando as mudanças da temperatura da lagoa. Ele não percebe o aquecimento da água, até chegar o momento em que ele, simplesmente, morre cozido.
Em contrapartida, se a água estiver nesta mesma temperatura e o sapo for colocado bruscamente em contato com ela, saltará imediatamente para fora, visto que o seu corpo não teve tempo de se adaptar as mudanças do clima.
Já usei este exemplo em diversas aulas e palestras, com o intuito de fazer um paradoxo com o mundo atual.
A Organização das Nações Unidas – ONU – divulgou um extenso relatório em 2007 sobre o Aquecimento Global. Consta que a temperatura média da terra deverá subir aproximadamente 3Cº nas próximas décadas devido à alta emissão dos gases responsáveis pelo efeito estufa.
Alguns cientistas dizem não acreditar no Aquecimento Global. Alegam que a Terra passa por vários ciclos de aquecimento e resfriamento em períodos específicos. É verdade. Mas isentar o homem e suas ações perniciosas em busca do desenvolvimento e consumo desenfreado é de uma tremenda estupidez.
Não há como discordar de que as cidades estão cada vez mais quentes, abafadas e beirando o insuportável. O calor é claustrofóbico, angustiante. Pessoas reclamam de dores de cabeça e fadiga constantes. Idosos e crianças principalmente. Você acaba de sair do banho e já está soando novamente! Guarda-chuvas são promovidos às pressas guarda-sóis.
Assim como o sapo do estudo, a impressão que tenho é a de que estamos vivendo dentro de um recipiente que está, vagarosamente, se aquecendo. E nós, também como o citado anfíbio, sem perceber, estamos nos adaptando a essa mudança. Se no verão passado usamos protetor solar fator quinze, esse ano foi o trinta. Ano que vem o quarenta e cinco, depois o sessenta e assim sucessivamente.
Por outro lado, estudos comprovam que em centros urbanos arborizados o clima diminui em até 4Cº. Ao caminhar sobre a sombra de uma árvore, as folhas formam uma camada natural protetora contra o material particulado e raios solares. Além, obviamente, de proporcionar frescor, reciclar o oxigênio e melhorar a umidade do ar. Mas onde estão as árvores das cidades? Cada vez mais raras. Pessoas mandam cortar árvores porque “fazem muita sujeira”. O Poder Público não colabora para transformar esta realidade. Abatem diversas árvores para construções, fazendo a compensação ambiental. Agem dentro da lei. Alegam que “esse é o preço do progresso”. Mas há alternativas sustentáveis, basta força de vontade política e vergonha na cara. Vejo bancos e mais bancos vazios em praças ao meio dia. É impossível sentar e descansar. Não há preocupação com o munícipe trabalhador.
Charles Darwin, famoso naturalista e criador da Teoria da Evolução, disse certa vez que “não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente. Mas o que melhor se adapta as mudanças”.
Sendo assim, continuemos em nosso processo de evolução. Mas ao invés de limitar somente as mudanças em nosso corpo, que tal pensarmos também em evoluir nossas ideias, caráter e bom senso?

João Paulo Rodrigues é Gestor Ambiental,
Educador e Jornalista – Mtb 0065988/SP

13.02.2012 – A Gestão Ambiental como ferramenta científica

Muito se fala hoje sobre as questões que envolvem o Meio Ambiente. São diversas vertentes, afinal, o Meio é difuso. Para falarmos de uma profissão que pode ser muito bem considerada como um dos caminhos para a busca do equilíbrio entre homem e natureza tem que considerar a Gestão Ambiental, não apenas como ‘mais uma forma’ de lidar com o meio, mas sim como uma ferramenta científica efetiva para a busca de soluções para os problemas ambientais.
A maior parte das pessoas ainda não acordou para a importância de mudança do comportamento de consumo, para as questões políticas, econômicas e sociais que acontece dentro do Meio Ambiente. A Gestão Ambiental pode e deve ser aplicada, desde as mais simples tarefas domésticas até as ações antrópicas de maior porte.
Citemos como exemplos, confusões que atrapalham na buscas pelas soluções para muitas situações: é muito comum haver confusão entre a interpretação do que são áreas verdes e do que vem a ser meio ambiente, confusão entre paisagem contemplativa e funcionalidade no paisagismo. Não dá pra separar as coisas, mas temos que avaliar o limiar da divisão entre as questões. Lidar com cada especificidade requer táticas empresariais e de relacionamentos interpessoais, conhecimento técnico e saber lidar com as mais diversas interfaces entre homem-natureza-necessidade de equilíbrio e, certamente um bom Gestor Ambiental deve ser cônscio disso.
Voltando ao exemplo, áreas verdes são necessárias, pois têm sua preciosa importância tanto em sua contribuição e, aí sim podemos dizer tanto contemplativa quanto funcional, provendo oxigênio, sombra, umidade do ar, proteção contra poluição e raios UVA/UVB (no caso de descansarmos debaixo de uma árvore as folhas formam um tipo de proteção do material particulado e filtra os raios solares). Na questão do paisagismo, não apenas deve-se montar um projeto pensando apenas na ‘beleza’ das plantas, mas pensar principalmente no conjunto da obra: usar plantas endêmicas, dar prioridade sempre para as nativas, conforto térmico entre outros artefatos que valorizem a permacultura.
Talvez, pelos aspectos acima descritos, haja ainda muita confusão acerca das verdadeiras mazelas que envolvem o Meio Ambiente e a busca por sua sustentabilidade. Cabe à sociedade como um todo, e isso incluem todo e qualquer cidadã ou cidadão, começar a entender melhor essas diferenças. E, uma dessas diferenças a ser notada é a visualização da Gestão Ambiental como ferramenta científica para a identificação das formas e processos de implantação de ações em prol da mitigação dos danos causados ao meio ambiente.
Esses danos podem ter as mais diversas origens: garimpo clandestino, mineração, extração de petróleo, produção de cosméticos, acidentes com cargas em rodovias, esgoto sem tratamento, excesso de barulho…são os mais diversos e, é aí que a maior parte das pessoas ainda se confunde.
A Gestão Ambiental, apesar de ser uma nova profissão, surge exatamente com essa incumbência: administrar o Meio. Sim. O Meio. A palavra ambiente cabe a todo e qualquer lugar onde o homem esteja independente se ele vai desenvolver atividades de lazer ou empresariais. Sempre haverá o que a Gestão Ambiental possa estudar e apontar soluções para a busca da sustentabilidade, que não deve ser do planeta, mas sim da espécie humana.
Portanto, a Gestão Ambiental não deve ser vista apenas como mais uma categoria de profissão enquadrada pela CBO, ou mais uma que busca sua regulamentação para garantir mercado de trabalho. É muito mais que isso. É uma profissão que prima por conhecimentos embasados na ciência, tendo um olhar transdisciplinar e multidisciplinar com o intuito de valorizar conhecimentos e buscar melhores soluções para todas as questões do nosso Meio Ambiente.

Raquel Moraes
Gestora Ambiental, Perita Judicial em Gestão Ambiental
e Especialista em Sustentabilidade

11.01.2012 – 2012: o ano em que faremos contato

Olá como vai você, caro leitor? Passou bem as festas de fim de ano? Se divertiu? Viajou? Saiu da rotina? Descansou? Refletiu? Espero que sim.
Chegamos finalmente ao tão falado e mítico ano de 2012. E ele vem com jeitão de ser muito agitado. Teremos aConferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, conhecida como “Rio + 20” entre os dias 20 e 22 de junho, que tem como meta assegurar o comprometimento político com o desenvolvimento sustentável, avaliar o progresso feito até o momento, as lacunas que ainda existem na implementação dos resultados e abordar novos desafios.
A Organização das Nações Unidas – ONU escolheu 2012 para ser o “Ano Internacional da Energia Sustentável para Todos”. Segundo ela, atualmente mais de 1,4 bilhão de pessoas no mundo não possui acesso à eletricidade, o que acarreta em problemas de saúde, déficit educacional, destruição ambiental e atraso econômico. O objetivo é viabilizar e fomentar as discussões sobre o acesso, o uso consciente e geração de energia sustentável.
Aqui cabe ressaltar que 2011 foi o “Ano Internacional das Florestas”, e isso não foi suficiente para sensibilizar os governantes do nosso país. Como você sabe, durante todo o ano dois projetos controversos foram ganhando força na obscuridade e sem os devidos cuidados e impactos discutidos, chegam a 2012 próximos de serem aprovados: a Usina de Belo Monte e o Novo Código Florestal Brasileiro. Certamente – ainda – falaremos muito sobre isso durante o ano.
2012 também será um ano importantíssimo para os municípios brasileiros. É ano de elegermos nossos prefeitos e vereadores. Aqueles, que há quatro anos você não tem notícias, de repente baterão insistentemente na sua porta, vão invadir sua casa nos intervalos das novelas, cumprimentá-lo na rua com um sorriso no rosto e dar tapinhas nas suas costas como se fossem velhos amigos.
Toda essa simpatia não deve ser, nem minimamente, levada em consideração na escolha do voto. Devemos esclarecer quais são suas propostas e o que pretendem para a cidade. E, já que tratamos do assunto, quais serão as ações em relação ao meio ambiente? Aplicação da coleta seletiva? Tratamento do esgoto doméstico? Desassoreamento dos rios? Melhoria do transporte público? Ciclovias? Mais arborização urbana? Enfim, são tantas ações necessárias que trabalho é o que não falta.
É preciso estar atento. Se o seu candidato não tem em seu plano de governo propostas para a melhoria ambiental da cidade, ele é inapto para exercer o cargo.
Lembrando que trazer melhorias ambientais para o município influencia diretamente na qualidade de vida de seus moradores. Certamente trataremos mais sobre isso durante o ano.
Espero honestamente que possamos discutir estas e outras questões de forma franca, sábia e incisiva. É fundamental a sua participação neste processo. Outros artigos tratarão de assuntos específicos e há um limite de caracteres. Os comentários servem exatamente para estender e aprofundar as ideias propostas nos textos.
Conto com você neste processo em tornar o site um lugar de discussão, sincera e elucidativa, formando um grupo de cidadãos que, embora difiram um do outro da maneira como enxergam as coisas, tem como propósito comum tornar melhor e mais sadio o ambiente que compartilham entre si.
Faça por merecer e aproveite sua liberdade de se expressar.

João Paulo Rodrigues

20.12.2011 – Impactos Natalinos

Será mesmo um feliz natal? Será mesmo que devemos pensar dessa maneira?
Consumir mimos, presentes, saber se um ente querido quer alguma coisa e oferta-lhe o objeto de desejo em plena meia noite de 25 de dezembro passa a ser mais importante do que a comemoração que se propõe a data.
Será mesmo que todos precisam daquela ‘lembrancinha’ de natal? Será mesmo que pensamos no verdadeiro simbolismo por trás das comemorações natalinas?
Não sejamos ingênuos. Dizemos que ‘papai noel’ não existe. Pois eu digo que ele existe sim! E ele atua onde as pessoas nem percebem: na mente! Percebam a avalanche de promoções e propagandas usando a cara do ‘bom velhinho’ pra vender qualquer coisa. Basta um simples gorro vermelho de bordas e pom pom brancos e pronto! Ho. Ho. Ho. Consumo!!! Alô papais e mamães, titias e titios, vovôs e vovós! Comprem, comprem e comprem…
Bem, deixando de lado os méritos religiosos (pois o natal verdadeiramente é do ‘papai noel’ e não de Jesus), o consumo gerado pelas expectativas emocionais de cada um, atrelados a sensação do ter ao invés do ser, geram diversos impactos ao meio ambiente e ninguém se dá conta.
Quer exemplo dos impactos nocivos? Pense: pra onde será que vão as embalagens de todos os presentes trocados? Pra onde vão as coisas ‘obsoletas’ ou ‘velhas’ que serão trocadas? Pra onde vão as sacolas, os plásticos, as fitas, as etiquetas, e até os cartões?
Isso sem contar a origem do produto e também os meios de produção e transporte para que os presentinhos e lembrancinhas cheguem às mãos daqueles que ‘singelamente’ os ofertam. Claro, existem pessoas conscientes, que reciclam e destinam corretamente seus ‘excessos’, mas infelizmente são minoria.
Imaginem a avalanche de resíduos indo para os lixões, os córregos e bueiros e, principalmente, as calçadas! Ah, o passeio público. No caso da cidade de São Paulo, quanto descaso por parte das subprefeituras! Acumulam-se toneladas de lixo ao longo das calçadas nos mais diversos bairros da cidade. E no natal, adivinhem: sabe aqueles móveis velhos, aqueles entulhos da reforma do banheiro ou da área de serviço? Adivinhou? Isso mesmo! Calçada! E nem adianta o tal ‘cata-bagulho’! Isso não resolve. Nem os tais eco-pontos.
Acredito que outros municípios do Brasil também tenham problemas como os citado para a cidade de São Paulo, afinal de contas o consumismo é global!
Resumindo, o natal gera grandes impactos ambientais negativos e, apesar de ser uma data de importante significado mundial, não podemos ser negligentes com a questão. Do meu ponto de vista, a Gestão Ambiental é uma das principais ferramentas para que os danos ambientais sejam mitigados. Para que a data continue sendo comemorada com olhares para um novo mundo, convido a todos a pensarem de maneira ‘sustentável’ para o próximo natal.

Raquel Moraes
Gestora Ambiental,
Especialista em Projetos Socioambientais  e Sustentabilidade
e Perita Judicial em Gestão Ambiental